sábado, 20 de dezembro de 2008

"Presentes" Natalinos... Vasco larga na frente!

Com o movimentado fim de ano do "mercado da bola", o Vasco parece largar na frente dos rivais para a temporada 2009. O primeiro grande reforço a ser anunciado é ninguém menos que o craque Jaílton, que trocará o Flamengo pelo clube de São Januário. A emotiva - e não menos equivocada - homenagem do Miguel ao Vasco da Gama parece ter comovido os corações da solidária diretoria do Flamengo neste fim de ano. Depois de um campeonato brasileiro assustador, quando cometeu 128 penaltis, o Volante/Zagueiro/Boiadeiro é a garantia de fortes emoções aos padeiros espalhados pelo Brasil. Seria um gesto de cordialidade do Presidente rubro-negro Márcio Braga, que declarara estar assustado com o rebaixamento do clube cruzmaltino à vice-divisão nacional, reforçando a equipe de São Januário com o jagunço da gávea. Fico imaginando Jailton na série B, liderando o Vasco ao almejado e inédito vice-campeonato da segunda divisão nacional. Agora vai!!!

Brincadeiras à parte, tenho ficado assustado com as notícias do esporte bretão neste fim de ano. O troca-troca entre os principais times do brasil parece ter transformado jogadores medianos em grandes boleiros.

O Fluminense, que perdeu Júnior César para o São Paulo, parece não estar tão preocupado com a saída do lateral. Lá na capital paulista a repercussão foi bem diferente, ao ponto de iludir inclusive o grande PVC, que em seu blog destacava a contratação com o título "Júnior César no São Paulo. Mais um grande reforço". E acreditem, ele era disputado também pelo rival Palmeiras, que abriu mão do lateral Leandro.

Já o Botafogo, não deve ter lamentado muito a saída do zagueiro Renato Silva também para o São Paulo. O clube paulista, que já conta com 25 zagueiros no seu elenco, parece não estar satisfeito com os jogadores Juninho e Anderson, e decidiu reformular a reserva do setor defensivo. Novamente, PVC dizia em seu blog que era mais uma boa contratação para compor o banco do São Paulo, destacando as boas passagens de Renato Silva por Goiás e Botafogo (é mesmo???), ainda que tenha fracassado no Flamengo e no Fluminense.

O Flamengo, que está de olho na saída do bom zagueiro Anderson, está se reforçando muito bem. A grande notícia da semana foi a saída do volante Jaílton para o Vasco. Mas como na gávea as bizarrices são eternas, especula-se que o clube está tentando a contratação de Diguinho, que está de saída do botafogo. Outros nomes falados são os Carlos Alberto "Feijoada" , Adriano "Cachaça" e Zé Roberto "Cachacinha". Já vi esse filme... Mas faço uma aposta: se o Imperador cachaceiro voltar, vai dar muito samba! Ainda mais num time em que Obina é o titular!

Na contramão dessas loucuras do futebol brasileiro, algumas boas investidas. O Palmeiras, embora tenha perdido Alex Mineiro e Leandro, trouxe Marquinhos (destaque pelo Vitória) e Keirrisson. Essa, para mim, é a melhor contratação até o momento. Washington no São Paulo e Reinaldo no Botafogo (em menor importância) também foram boas contratações.

É esperar os pacotes de natal e aguardar as demais negociações para ver no que vai dar...

E se alguém me perguntar sobre a ida do Ronaldo "Fenômeno" para o Timão, a imagem abaixo diz tudo!




segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Minha Homenagem ao Vasco


Muito mais sério q o resto da redação dese blog, e passado alguns dias para digerir a queda para segunda divisão, quero colocar aqui minhas impressões sobre esse momento e fazer a devida homenagem ao Clube de Regatas Vasco da Gama.

O sentimento é de orgulho. Digo isso com tranquilidade sobre a torcida vascaína. Os vascaínos recuperaram o orgulho de vestir essa camisa q tanto representa para o futebol brasileiro, no combate ao racismo, na formação democrática do país, na movimentação da torcida para construção do estádio de São Januário... O Vasco tem seu lugar na história. E agora volta a honrá-lo. Como bem lembrou PVC, o Vasco é o único dos grandes times brasileiros q vem da segunda divisão, não teve seu lugar cativo na primeira divisão garantido por tramóias da elite branca e européia q queria ver seus times nos lugares mais altos do pódio a qq custo. E agora o Vasco vai buscar sua reabilitação na segunda divisão do campeonato brasileiro. É uma esperança. Um novo ano, uma nova diretoria, uma expectativa de reconstrução... vamos ver.

Reproduzo agora um texto q foi publicado no blog do torcedor do Vasco na Globo.com. Na verdade ele foi publicado antes, em outro blog das organizações globo, mas isso não importa, mas sim seu conteúdo... vamos a ele. O sentimento não pode parar!

A História reescreve o orgulho de ser vascaíno  Nélson, Mingote e Leitão; Arthur, Braulio e Nolasco; Paschoal, Pires (Dutra), Bolão, Torterolli e Negrito. Técnico: Ramón Platero.  Qual a impotância desse time para a história do Vasco?

Não, não são os jogadores que venceram o Campeonato Sul-Americano de 1948, tampouco participaram de um Campeonato Brasileiro, muito menos estavam vivos para verem a América ser nossa pela segunda vez em 1998.

Esse foi o time que deu ao Vasco o título da 2ª divisão do Campeonato Carioca.

Sim, o Vasco já disputou a segundona carioca, contra potências como Palmeiras (?), Carioca (??), Mackenzie (???) e Mangueira (!).

Viemos de baixo.

Não nascemos de nariz em pé, não somos filhos da aristocracia carioca.

Somos o time dos negros, dos operários, daqueles que não podiam jogar futebol por não ter um sobrenome inglês, por não ter a pele alva européia ou simplesmente por não ter dinheiro.

Esse time de excluídos ascendeu à primeira divisão e logo em seu ano de estréia fez história, conquistou o título, arrebatou corações e deixou a elite futebolística indignada...

"Como assim um time de 'inferiores' vem jogar o nosso campeonato, nos nossos estádios e sai campeão???".

Fomos impedidos de disputar o Campeonato Carioca do ano seguinte.

Motivo alegado: não tínhamos um estádio. Motivo verdadeiro: preconceito.  E eis que esse time resolve fazer história novamente.

Sua torcida se une, faz uma campanha de arrecadação e constrói em pouco tempo aquele que seria o maior estádio da América Latina até a construção do Maracanã: o Estádio de São Januário, o nosso Caldeirão.  Poucos clubes no mundo podem se orgulhar de ter uma história tão bonita de luta, superação, respeito e amor.

Muito mais podemos tirar dessa nossa bela história, mas escolhi esses dois momentos pois eles não saiam da minha cabeça após o jogo contra o Vitória.

Meu sentimento é que nós, torcedores, andávamos meio adormecidos, quietos, nossa história andava esquecida no meio de tantas mazelas que assolaram nosso amado Vasco nos últimos anos.

Quis o destino que fosse preciso passar por uma provação como a que passamos nesse Campeonato para que retomássemos nossa devoção ao clube, que trouxéssemos o Vasco de volta às suas origens: o Vasco é da torcida, aquela mesma que se encantou com o time do subúrbio que não tinha estádio e que se uniu para construí-lo.  Fim do jogo, Vasco rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Eis que o caldeirão outrora lotado vê parte do público ir embora.

Mas alguns teimavam em não sair, eu e meu pai entre eles.

Olhavam para o campo, para as arquibancadas, para a social, para a capelinha de Nossa Senhora das Vitórias, buscando no olhar do outro um conforto, uma esperança, um sentimento de irmandade.

E eis que de repente o então frio Caldeirão se ascende e o Hino que me faz arrepiar a cada vez que ouço é entoado aos milhares: VAMOS TODOS CANTAR DE CORAÇÃO, A CRUZ DE MALTA É O MEU PENDÃO!

E naquele canto, naquele orgulho de ser vascaíno, meus olhos se enchem d'água. Somos muitos, somos milhões, somos irmãos unidos no amor ao Gigante da Colina.

E naquele momento pensei nos jogadores que em 1922 escreveram um capítulo importante na gloriosa história do Clube de Regatas Vasco da Gama.

Viemos da segunda divisão e nos deparamos novamente com ela.

Nesse ano de resgates para o Vasco (o resgate da democracia, o resgate da torcida, o resgate do orgulho de ser vascaíno) não fomos rebaixados, mas sim fomos levados a revisitar uma parte esquecida de nossa história. Viemos de baixo para nos tornarmos gigantes.

E essa volta às origens certamente fará o gigante adormecido acordar ainda mais forte!  E nós, torcedores, tal qual nossos predecessores da década de 20, temos a missão de reconstruir São Januário...

Que nosso Caldeirão ferva a cada jogo na dura jornada de 2009.

Que cantemos ainda mais, que vibremos ainda mais, que nos unamos ainda mais!

Que possamos juntos reconduzir o Gigante ao caminho dos títulos!  Saí de São Januário com um sentimento estranho.

O Vasco fora rebaixado, mas mesmo após uma tristeza profunda eu sorri.

Não conseguia parar de pensar na nossa linda história, na luta contra o preconceito, na construção de São Januário, no amor incondicional que vi em cada olhar, em cada lágrima derramada no estádio.

E uma imagem não saía da minha cabeça: uma faixa com a frase que dá título a este texto. A história reescreve o orgulho de ser vascaíno.

E esse sentimento não pode parar nunca.

Hoje levei minha camisa do Vasco para o trabalho e pendurei na minha cadeira.

Fui jogar minha pelada devidamente uniformizado e ainda passei pela academia, sempre com a cruz no peito. E a cabeça erguida. E a cada piada, a cada comentário "você é corajoso", eu olhava pra cruz e a beijava. Reafirmava meu amor incondicional, minha certeza de que esta queda nos fará ainda mais fortes, ainda mais unidos, ainda mais vascaínos. E a cada beijo na cruz, lembrava de nossa história. E sorria.

Provavelmente me achavam louco os invejosos torcedores dos outros clubes, mas não estou nem aí.

Não há razão que explique o amor. Hoje eu olho para a cruz de malta ainda mais apaixonado por ela!  Grande abraço,  Francisco Kronemberger. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

sábado, 6 de dezembro de 2008

Aprovação de Lula bate novo recorde e chega a 70%, aponta Datafolha

Pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal "Folha de S. Paulo" nesta sexta-feira (5) aponta que a avaliação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isto é, dos brasileiros que consideram o governo ótimo ou bom, chegou a 70%.

Trata-se de um novo recorde, com Lula alcançando um índice nunca atingido por outro presidente no país desde a redemocratização.

O levantamento foi feito entre os dias 25 e 28 de novembro. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foram ouvidos 3.486 brasileiros com mais de 16 anos em todo o país.

Assim como na pesquisa anterior, quando Lula alcançou um recorde de 64%, o presidente teve avaliação positiva da maioria da população em todos os segmentos socioeconômicos e regiões do país.

Jovens e escolarizados

Nesta nova pesquisa Datafolha chamam a atenção o crescimento do apoio ao ao presidente Lula entre os mais jovens, os mais escolarizados e no Sudeste, com aumento de nove pontos em cada um destes itens. O Nordeste continua sendo a região com maior apoio a Lula: 81% de avaliação ótima ou boa.

Na comparação com a pesquisa anterior, a melhora na avaliação ocorreu principalmente devido à faixa de brasileiros que consideravam seu governo regular. Eram 28% em setembro, agora, são 23%. Outros 7% consideram o governo ruim ou péssimo.

Outros presidentes

O Datafolha mostra ainda qual foi a melhor avaliação de cada um dos presidentes desde Fernando Collor de Mello. Foi considerado o percentual de pessoas que considera o governo "ótimo" ou "bom". Veja abaixo:
Fernando Collor de Mello (1990-1992): 36%
Itamar Franco (1992-1994): 41%
Fernando Henrique Cardoso (1995-1998): 47%
Fernando Henrique Cardoso (1999-2002): 31%
Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006): 53%
Luiz Inácio Lula da Silva (2007-2010): 70%

Com agências

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mais uma do Emir Sader

Urubus e aspirinas

No momento da posse de Fernando Lugo, como primeiro presidente democrático do Paraguai, terminando com a ditadura de 60 anos do Partido Colorado, a revista The Economist dizia que aquele seria o último presidente de esquerda a ser eleito na América Latina. E, como urubus, afirmavam que a nova agenda trazida pela recessão – duras políticas de ajuste – e a violência dominariam a pauta política do continente e como a exploração desses temas são essencialmente de direita, voltariam governos conservadores na América Latina.

Se esqueceram que, aqui onde estou, em El Salvador, pela primeira vez a Frente Farabundo Marti é claramente favorita para eleger o jornalista Maurício Funes, presidente da República, no dia 15 de março. Erro de avaliação ou desconhecimento da revista inglesa ou tentativa de fazer dos seus desejos, realidade.

A mesma coisa acontece com os urubus da imprensa em geral. Em toda a primeira metade do ano acenaram com o risco de descontrole inflacionário, sem se dar conta da recessão, já instaurada naquele momento, na economia dos EUA, com possibilidades reais de propagação para outros países, que gera riscos de deflação, exatamente ao contrário do que diziam os urubus. Erro de avaliação ou desconhecimento ou tentativa de fazer passar seus desejos mórbidos pela realidade.

Instaurada a crise, os radicais de direita se apressam a explorar uma situação provocada pelas suas políticas, para tentarem tirar partido e enfraquecer os governos progressistas. Tentam, a cada dia, gerar um clima de pânico, dizendo que as conseqüências para nós serão terríveis, que o governo não leva em consideração seus efeitos, etc., etc., buscando gerar o caldo de cultivo para medidas conservadoras, que são tanto do seu agrado.

Obsesionados pelos clichês que formam sua visão de mundo, não conseguem perceber o que há de novo. Pela primeira vez há uma profunda crise na economia dos EUA e da Europa, mas a economia brasileira não quebra. Os efeitos da crise se revelam muito mais fortes nos países que a geraram, do que aqui.

Os governos progressistas buscam minimizar as conseqüências da crise, tratando de evitar que se propague a recessão, porque sabem que ela afeta sua necessidade de suas economias de seguir crescendo e expandindo suas políticas sociais. A diversificação do comércio internacional, o aumento do comércio interegional e com o sul do mundo, a grande expansão do mercado interno, assim como a significativa diminuição do comercio com os EUA – são os elementos que possibilitam mecanismos de defesa dos países da região que privilegiam os processos de integração regional. Ao contrário, um país como o México, que assinou Tratado de Livre Comércio com os EUA (e o Canadá), fez com que tenha 90% do seu comércio com seu vizinho do norte e agora, diante da profunda e prolongada crise da economia norte-americana, sofrerá de maneira dura e direta os efeitos dessa dependência.

Os urubus continuam com sede de carniça. Querem que a crise - gerada pelo modelo que eles pregaram como o ideal e aplicaram durante duas décadas e agora se revela a fonte essencial da crise – leve à derrota dos governos atuais na America do Sul, que volte a direita, que os representa politicamente. Que as economias da região entrem em recessão, que as políticas sociais não possam ser levadas adiante, que os governos percam apoio, que volte a direita.

Enquanto isso, tem que tomar muita aspirina, para agüentar o sucesso de Evo Morales, de Rafael Correa, de Lula, de Hugo Chávez, que abatem os urubus no vôo.

Postado por Emir Sader às 11:28

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os discos mais caros do mundo

O cara colocou um anúncio no mercado livre vendendo 50 vinis de soul e funk por mais de 1 milhão de reais. Pior: o preço é esse mesmo. A primeira vista a gente acha q é um erro de digitação, mas vendo as perguntas e suas respostas (o q, aliás, é o mais engraçado disso aí) vemos q o preço é esse mesmo. Surreal. clica pra ver

corrida de 100m

Quero ver quem consegue. Achei esse jogo no Ovelha Elétrica, um blog legal sobre várias bobagens. O obejtivo é correr 100m. Eu consegui chegar a 8.8, como mostra a imagem. Tenta lá, e posta nos comentários o seu recorde.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sobre a crise internacional

Marcio Pochmann: Menos Estado e má repartição da riqueza: as razões da crise
em 27/11/2008



A crise econômico-financeira mal iniciou e já produz resultados nefastos que podem superar os de 1929. Somente nos primeiros nove meses de 2008, as bolsas de valores sofreram baixas superiores a 25%, sendo que, para alguns países, com queda acima da verificada nos Estados Unidos e na Inglaterra durante a Depressão de 1929. Parece não terem sido ainda mais profundas por força de uma ampla coordenação mundial de intervenções governamentais, com transferências significativas de recursos públicos aos setores atingidos e com maior poder de pressão.


Da mesma forma, prevalece uma intensa articulação política de países, como no caso do G-20, que busca novas brechas para a reversão dos equívocos provocados pela desregulamentação neoliberal e pelos artificiais avanços da financeirização sem fundamentação na produção de riqueza.


Desde o final da década de 1970, quando se tornou dominante a visão do Estado apresentado como obstáculo ao desenvolvimento, a liberalização da economia tomou força somente comparável ao ideário governamental do século 19. Naquela época de predomínio inglês, o capitalismo operava praticamente sem a presença de grandes empresas, apoiado na diversidade de micro e pequenos empreendimentos sem capacidade de impor seus preços a partir da somatória de custos mais margem de lucro. Bem diferente do que vem ocorrendo desde o último quartel do século 20, que demarca o longo processo de esvaziamento dos Estados Unidos enquanto centro dinâmico produtivo e financeiro do mundo. Assim como também aponta para a insuficiência da governança mundial operada a partir do sistema ONU (Organizações das Nações Unidas), por meio de agências multilaterais como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, entre outras.


De um lado, o peso dos EUA na economia mundial reduziu-se significativamente, com a transferência de parcela do seu setor produtivo para outros países decorrentes da perda de competitividade das empresas e das políticas de enfraquecimento do Estado e do sistema de atenção à produção e emprego. Mesmo assim, os ideólogos do neoliberalismo continuaram a estimular a crença de que seria possível viver como país eternamente super rico num quadro geral de empobrecimento relativo, com consumo superior a 20% da capacidade anual de produção de bens e serviços e o endividamento 3,5 vezes maior que a renda nacional.


O próprio estopim da crise financeira terminou indicando o quanto a opção pela redução do Estado se mostrou inadequada para substituir as políticas sociais por forças exclusivas do mercado. No caso da habitação para os segmentos de baixa renda, por exemplo, o esvaziamento de políticas sociais específicas estimulou o setor privado americano a operar irresponsavelmente, emprestando em longo prazo a quem tinha oportunidade negada de acesso a empregos e remunerações decentes. A mesma situação se reproduziu às famílias levadas a acreditarem exclusivamente nos fundos previdenciários privatizados frente ao atual registro de quedas significativas no valor patrimonial, capaz de inviabilizar benefícios adequados de pensões e aposentadorias.


De outro lado, o papel quase simbólico atual das agências multilaterais construídas no final da Segunda Guerra Mundial, quando os países eram maiores, em geral, que suas empresas. Nos dias de hoje, as corporações transnacionais tornaram-se superiores ao produto anual de países, sendo o mundo, por isso, governado pelo poder privado de não mais do que 500 grandes grupos econômicos. As três maiores delas possuem faturamento anual superior ao PIB do Brasil, considerado o décimo mais rico do planeta, enquanto o faturamento das cinqüenta grandes corporações do mundo supera o PIB de mais de uma centena de países. Se consideradas somente as famílias enriquecidas pelo processo disfuncional de governança pública do mundo, observa-se que apenas um reduzidíssimo conjunto de menos de 1,2 mil bilionários chega a se apropriar de renda equivalente a da metade da população adulta do planeta.


O caráter privado da desregulação mundial termina por gerar situações inaceitáveis, como as atuais crises alimentar e climática. Com o abandono das políticas de segurança alimentar desenvolvidas no segundo após-guerra, que geralmente buscavam operar estoques reguladores e garantia de renda ao campo, as grandes corporações transnacionais do agronegócio sentiram-se estimuladas a estabelecerem preços inicialmente inferiores aos dos produtores tradicionais. A queda nos preços alimentares durou pouco, porém se mostrou suficiente para que houvesse o maior empobrecimento, quando não a falência dos pequenos agricultores, bem como o aprofundamento da dependência externa de tecnologia (defensivos e fertilizantes agrícolas). Nos dias de hoje, o comportamento dos preços dos alimentos pouco atende aos produtores, mas fundamentalmente às grandes corporações mundiais.


Da mesma forma, o mundo continua a insistir na continuidade do modelo de produção e consumo assentado na profunda degradação ambiental. A consciência de sua insustentabilidade não vem acompanhada da produção e difusão de tecnologias limpas e renováveis, justamente porque isso implica rever a hierarquia do mundo organizada a partir da desregulação operado pelas grandes corporações transnacionais.


Resumidamente, a contenção do papel do Estado por quase três décadas foi acompanhado por inquestionável processo de concentração brutal da renda e riqueza mundial. A liberalização das economias enfraqueceu o poder dos trabalhadores na barganha pela maior participação dos salários na renda dos países. Em geral, a parcela salarial dos trabalhadores caiu quase 20 pontos percentuais no PIB, de mais de 70% para um pouco acima dos 50% nos países avançados nos últimos trinta anos. Nos países não desenvolvidos, a queda também se generalizou de acima dos 50% para abaixo dos 40% do PIB desde o final da década de 1970. Com o esvaziamento do Estado, as políticas sociais foram abandonando gradualmente a perspectiva da universalização para aderirem à lógica da focalização, tão defendidas até pouco tempo por agencias multilaterais como Bird e FMI. Percebe-se, hoje, como se mostraram incapazes de sustentar o padrão de bem estar social compatível com o grau de avanço econômico dos países. O resultado não poderia ser outro: desigualdade e o quadro geral de relativa regressão socioeconômica.


Mesmo que apresente característica distinta da Depressão de 1929, a crise econômico-financeira atual tende a demandar remédios muito parecidos. Ou seja, o maior fortalecimento do papel do Estado regulador em novas bases, bem como a desconcentração da renda e riqueza no mundo. Tudo isso, no entanto, não deveria ser estabelecido exclusivamente no âmbito nacional, mas, crescentemente no plano supranacional, por ser capaz de por em marcha uma nova ordem mundial comprometida com prosperidade compatível tanto com a justiça social como a sustentabilidade ambiental do planeta.


*Marcio Pochmann é professor licenciado do Instituto de Economia (IE) e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Artigo publicado originalmente no Valor Econômico (27/11)